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Dia internacional da mulher e a mulher paraense 

Segundo a pesquisa, a maioria das mulheres paraenses acredita que a vida melhorou nos últimos cinco anos; que a violência doméstica é a maior preocupação, e não a violência urbana. Por isso, a melhor ação política das autoridades seria um combate mais profundo a esse tipo de crime. E há uma motivação que transparece na pesquisa sobre uma causa da violência doméstica: o machismo do homem paraense.

Para saber o que a mulher paraense pensa sobre temas como violência, qualidade de vida e machismo, o núcleo de pesquisas do Instituto Acertar realizou, entre os dias 3 e 5 de março de 2005, pesquisa fundamentada em entrevistas pessoais, aferidas em trânsito/pontos de maior fluxo populacional, junto a uma amostra representativa, estratificada por cotas de sexo e idade, cobrindo os oito distritos administrativos que compõem a cidade de Belém.

Foram executadas 410 entrevistas. Para os resultados gerais, a margem de erro é de cinco pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

A leitura dos dados da pesquisa ficou sob a responsabilidade do sociólogo Américo Canto. E a coleta desses dados foi coordenada pela socióloga Nazaré Vieira. Sob sua orientação, 07 entrevistadores desenvolveram as atividades de campo. O estatístico Silvanildo Baia executou o desenho amostral, e Augusto Nascimento executou o processamento dos dados.

 Esta pesquisa foi publicada no jornal “O Liberal”, de Belém, na edição de 08 de março de 2005.

A motivação para a pesquisa foi o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. Para 34,7% das entrevistadas, a data possui significado especial: representa um dia de luta pelos direitos da mulher. Já 15,4% responderam que a data representa o reconhecimento e a valorização de seu gênero. 14,4% consideram um dia de luta contra preconceitos. Para 10,1%, representa a conquista de novos espaços na sociedade. 9,6% afirmaram ser um dia de reconhecimento do potencial feminino. Ou seja, 84,2% das entrevistadas concordam que, de alguma forma, a data é importante para a causa feminina. Apenas 3,8% das entrevistadas, esse dia não representa nada. E, 1,4% disse que é uma homenagem para as operárias que morreram em uma fábrica nos Estados Unidos. 6,7% deram outras respostas e 3,8% não quiseram opinar.

A importância de uma pesquisa como esta está na avaliação do que representa ser mulher na sociedade paraense, e averiguar se há progressos ou não. Por isso, uma das questões era se a situação de vida da mulher paraense melhorou ou piorou em comparação há cinco anos.

Uma vida melhor - Para 63,9% das entrevistadas, a situação de vida das mulheres paraenses melhorou de forma significativa. Para 12,5%, piorou. Já 18,8% responderam que não houve mudança significativa, enquanto 4,8% não quiseram responder ao questionamento.

As mulheres que acham que a situação melhorou estão na faixa etária de 35 a 44 anos (72,7%) e 25 a 34 anos (67,3%). O grau de escolaridade desse grupo se divide em 69,1% no segundo grau e 62,5% no terceiro grau. Dessas mulheres, 66,7% são solteiras e 65,1% casadas. Em sua maioria, assalariadas (74,1%), funcionárias públicas (72,2%) e há as que trabalham por conta própria (66,0%). Em relação à classe econômica, a maior parte integra a classe C, correspondendo a 68,1%, seguida pelas classes A/B (66,0%).

O motivo para a opinião de que a vida melhorou está intimamente ligado ao aumento de oportunidades e crescimento profissional, que resulta em melhor auto-estima. Foram citados também o maior combate à violência, maior liberdade de expressão e direitos mais consistentes, mesmo que essas coisas ainda estejam longe do que elas esperam.

Já no caso das mulheres que disseram não ter havido melhora nos últimos cinco anos, a maioria está na faixa etária de 60 anos ou mais (29,2%) e 45 a 59 (20,9%). Esse grupo é representado principalmente pelas mulheres que estudaram ou estudam o primeiro grau (17,2%) e o segundo grau (10,3%). Dessas mulheres, 48,8% são separadas/divorciadas ou viúvas, 11,1% solteiras, 9,3% amigadas e 9,8% declararam que são casadas. Essas mulheres são, em sua maioria, aposentadas/pensionistas (17,2%), seguidas por assalariadas (13,0%) e as donas de casa (7,1%). Em relação à classe econômica, a maior parte é da classe D (15,7%), seguida pela classe C, com 13,0% das entrevistadas desse grupo.

As principais justificativas para a opinião de que a situação de vida piorou se relacionam a questões ligadas ao fato de, na maioria das vezes, essas mulheres terem assumido a criação dos filhos sozinhas, como também o fato do setor saúde da mulher ser bastante debilitado. Foram citados também como motivos a discriminação contra a mulher e a escassez de empregos para elas, a diferença salarial em comparação aos homens, a violência contra as mulheres, a prostituição infantil e a ausência de políticas públicas.

Preocupações - Dentre os problemas enfrentados cotidianamente entre as mulheres, o mais preocupante é o da violência doméstica, citada por 38,9% das entrevistadas. São as mulheres mais jovens, casadas ou amigadas, que estão mais preocupadas com a questão. Essas mulheres, em sua maioria, estão desempregadas, são funcionárias públicas, donas de casa ou estudantes.

Em seguida, no rol de preocupações, estão as doenças como câncer de mama e útero (19,2%), principalmente para mulheres com idade a partir de 35 anos; violência contra a mulher fora de casa/assédio sexual (15,4%), preocupação predominante entre mulheres jovens, com o segundo e terceiro grau de escolaridade, solteiras ou casadas.

Já a DST/AIDS (10,6%) preocupa mulheres que estão na faixa etária de idade que vai de 25 a 34 anos, que tem o segundo e terceiro grau de escolaridade e que são casadas ou amigadas. Muitas não confiam na fidelidade do parceiro e, diante da recusa do homem de colocar camisinha, arriscam-se sem proteção durante o sexo.

Também é motivo de preocupação para 6,7% das entrevistadas a situação do mercado de trabalho, como também as formas de evitar filhos (4,8%) e a desigualdade de salário em relação aos homens (3,4%). Apenas 1% citou outros problemas. A questão do mercado de trabalho é uma preocupação principalmente das mulheres jovens, que estudaram ou estudam o segundo e terceiro grau.

Diante da pergunta “O que você gostaria que fosse feito pelas autoridades competentes para que a vida de todas as mulheres melhorasse?”, 20,2% responderam que seria o combate ainda maior à violência doméstica, com punição mais severa para os homens agressores. 19,7% acreditam que as autoridades devem procurar mecanismos para gerar mais empregos e possibilitar maior inserção das mulheres no mercado de trabalho.

Para uma parcela significativa, 18,3%, uma boa ação política seria a criação de mais espaços públicos de assistência médica especializada e intensificação das campanhas de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis. Já 9,6% opinaram que deveria ser desenvolvida política pública voltada para atender as necessidades da mulher. E 6,3% disseram que precisam ser estabelecidos mecanismos que impossibilitem as diferenciações salariais entre homens e mulheres que executam uma mesma função.

Machismo - E o homem paraense, é machista na concepção das mulheres? Para 63,5%, o homem paraense é muito machista. Para 29,8%, ele é um pouco machista. Já 5,3% disseram que não acham o homem paraense machista e apenas 1,4% não quis responder a pergunta.

As mulheres que acham os homens paraenses machistas justificaram suas respostas da seguinte forma: 22,0% responderam que os homens paraenses são autoritários e manipuladores. 15,2% apontaram o fato de o homem paraense se achar superior às mulheres. Para 7,6%, o machismo paraense é uma questão cultural. 7,6% responderam que o homem paraense é muito egoísta, pensa somente em si. O homem paraense não gosta de mulher independente, segundo 6,8% das entrevistadas. 34,0% deram outras respostas, e 3,0% não justificaram a resposta.

 

 

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