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| CÍRIO 2004 | |
| Entre a maniçoba e o pato no tucupi | |
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Pesquisa revela mudança de hábito no tradicional almoço do Círio e mostra que, na esteira da pobreza, quase 80 mil pessoas não têm nas suas mesas os pratos típicos da data. A maniçoba já divide com o pato no tucupi a condição de principal prato do belenense no tradicional almoço do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, apontado por alguns como a maior manifestação de religiosidade do Brasil. A maniçoba é hoje a principal opção de 31,3% da população de Belém, seguida do pato no tucupi, que tem 23,3% das preferências, segundo revela pesquisa do Instituto Acertar, feita entre os dias 25 e 27 de setembro de 2004, na qual foram ouvidas 420 pessoas. Como a margem de erro da pesquisa é de 5 pontos percentuais, para mais ou para menos, configura-se estatisticamente um empate técnico em termos de preferência. De acordo com a pesquisa, sucedem-se, por ordem decrescente de preferência, o frango no tucupi, com 13,1% das opções; o peru no tucupi, com 8,3%; e o vatapá, com 4,3%; enquanto 2,9% privilegiados afirmam que vão ter na mesa um pouco de cada um desses pratos. Publicada pelo jornal “O Liberal”, de Belém, na edição de 10 de outubro de 2004 - o segundo domingo do mês, quando ocorre a procissão do Círio -, a pesquisa do Instituto Acertar ainda revela uma realidade cruel, que sinaliza para a extensão da linha da pobreza na capital paraense. De acordo com ela, 8,6% dos entrevistados, a maioria dos quais com rendimento de até um salário mínimo, não têm nas suas mesas os pratos que compõem o cardápio do tradicional almoço do Círio. Considerando que a pesquisa ouviu entrevistados com idade a partir de 16 anos, parcela dos habitantes de Belém que chega a 887.605 pessoas, de acordo com o censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que por este a população da capital paraense é de 1.280.614 pessoas, exatos 76.334 belenenses (que correspondem aos 8,6% citados) estão privados dos pratos que habitualmente fazem parte do tradicional almoço do Círio. Metodologia – A pesquisa, cuja concepção foi do jornalista Augusto Barata, ouviu apenas pessoas que se declararam católicas – praticantes ou não praticantes. A coordenação geral e a leitura dos dados ficou sob a responsabilidade do sociólogo Américo Canto. A coleta dos dados foi coordenada pela socióloga Nazaré Vieira, sob cuja orientação atuaram os 15 entrevistadores mobilizados no trabalho de campo. O estatístico Silvanildo Baia executou o desenho amostral e Augusto Nascimento executou o processamento dos dados. De acordo com a pesquisa, dos que responderam que o prato principal é a maniçoba, a maioria (45,7%) está na faixa de renda familiar que varia de 5 a 10 salários mínimos. Apesar disso, a maniçoba está bem cotada em todas as faixas de renda familiar apresentadas. Os que têm como primeira opção o tradicional pato no tucupi situam-se na faixa de renda familiar que varia de 10 a mais de 10 salários mínimos, parcela que corresponde a 43,5% dos entrevistados. O frango no tucupi é o prato principal de 19,5% dos que têm rendimento familiar que vai de 1 a 5 salários mínimos. Os extremos - O peru no tucupi, além de ser o prato principal dos que têm rendimento familiar de 10 a mais de 10 salários mínimos, que representam 13,0% dos entrevistados, também faz parte da mesa dos que ganham de 2 a 5 salários, que respondem a 8,9% das pessoas ouvidas na pesquisa. O vatapá é o prato principal dos mais pobres, sendo a opção principal de 4,3% dos entrevistados. Do total de entrevistados, 8,6% não têm em suas mesas nenhum dos pratos que tradicionalmente fazem parte do almoço do Círio. Desse contingente, 23,2% têm o minguado rendimento de até um salário mínimo. “Pode-se concluir,
pela leitura dos números apresentados, que a opção
pela maniçoba, como prato principal no almoço do Círio,
não deriva apenas da escassez de pato, ou da falta de dinheiro,
ou ainda de uma pura e simples mudança de hábito do belenense”,
analisa Américo Canto, sociólogo que coordenou a pesquisa.
“É mais sensato, é mais razoável atribuir a
preferência pela maniçoba a uma conjugação
de todos esses fatores”, arremata.
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| A festa na visão do belenense | |
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