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A disputa pela Prefeitura de Belém apresenta, hoje,
um empate técnico entre três dos cinco candidatos em potencial
de maior visibilidade – a senadora Ana Júlia Carepa (PT),
o ex-governador Almir Gabriel (PSDB) e o deputado federal Wladimir Costa
(PMDB). Isso é o revela pesquisa de intenção de voto
feita pelo Instituto Acertar, no período de 15 a 19 de abril de
2004, na qual foram ouvidas 413 pessoas, proporcionalmente distribuídas
pelos oito distritos administrativos de Belém. De acordo com a
pesquisa, cuja margem de erro é de cinco pontos percentuais, para
mais ou para menos, se a eleição fosse hoje Ana Júlia
teria 28,3% dos votos, Almir Gabriel 27,4% e Wladimir Costa 23,7%. Pela
pesquisa, o deputado estadual Martinho Carmona (PDT) e o vereador Arnaldo
Jordy (PPS), declaradamente pré-candidatos, têm hoje, respectivamente,
4,4% e 1,7% das intenções de votos. Votariam em branco,
nulo ou em nenhum dos candidatos, 9,9%, e 4,6% não sabem em quem
votar.
Como foram
sepultadas as possibilidades da candidatura de Wladimir Costa prosperar,
diante das desconfianças que o fisiologismo atribuído ao
parlamentar desperta no próprio PMDB, a disputa fica polarizada
entre Ana Júlia Carepa e Almir Gabriel (Leia quadro abaixo). Entre
a senadora petista e o ex-governador tucano, diga-se, perdura um empate
técnico que registra-se desde outubro de 2003, quando o Instituto
Acertar realizou a primeira pesquisa de intenção de voto
sobre a disputa pela Prefeitura de Belém. Considerando as injunções
político-partidárias, nessa mais recente pesquisa o Instituto
Acertar optou por trabalhar com mais de um cenário de disputa,
diversificando o elenco de candidatos segundo as alternativas que se configuram
no atuas momento.
Cenários alternativos
– Assim, em um segundo cenário de disputa, no qual retira-se
do elenco de possíveis candidatos o deputado federal Wladimir Costa
e na relação de eventuais postulantes passam a figurar o
senador Duciomar Costa (PTB) e a ex-deputada federal Elcione Barbalho
(PMDB), perdura o empate técnico entre Ana Júlia Carepa,
com 26,9% das intenções de voto, e Almir Gabriel, com 26,2%.
Nesse cenário, Duciomar Costa tem 17,4% das intenções
de voto; Elcione Barbalho, 8,5%; Martinho Carmona, 3,9%; e Arnaldo Jordy,
1,5%. Votam em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos 12,1% e os indecisos
somam 3,6%.
A pesquisa ainda contempla
um terceiro cenário de disputa, no qual o ex-governador Almir Gabriel
é substituido pelo ex-prefeito de Ananindeua Manoel Pioneiro, que
passa a figurar como candidato do PSDB, o deputado federal Wladimir Costa
toma o lugar da ex-deputada Elcione Barbalho, pelo PMDB, e é mantido
o nome do senador Duciomar Costa. Nesse caso, Ana Júlia Carepa
tem 27,1% das intenções de voto, contra 20,6% de Wladimir
Costa, 18,4% de Duciomar Costa, 7,7% de Manoel Pioneiro, 4,1% de Martinho
Carmona, e 2,7% de Arnaldo Jordy. Nesse cenário, votam em branco,
nulo ou em nenhum dos candidatos 14,8% e os indecisos chegam a 4,6%.
Espontânea –
Também na pesquisa espontânea, na qual o entrevistado se
manifesta sem o estímulo de nomes, registra-se um empate técnico
entre Almir Gabriel e Ana Julia Carepa. Nela, Almir Gabriel (PSDB) obteve
10,4% das intenções de voto; Ana Júlia (PT), 9%;
Wladimir Costa (PMDB), 5,1%; Duciomar Costa (PTB) e Manoel Pioneiro (PSDB),
2,9%; Elcione Barbalho (PMDB),1,7%; Arnaldo Jordy (PPS), 0,7; Jader Barbalho
(PMDB), 0,7%; Martinho Carmona (PDT) e Edmilson Rodrigues (PT), 0,5%;
Josué Benson (PTB), 0,2%; e Cipriano Sabino (PL), 0,2%. Essas foram
as citações mais expressivas registradas na pesquisa espontânea.
Na pesquisa espontânea
o contingente de indecisos é colossal, chegando a 60,8% dos entrevistados.
Votam em branco, nulo ou em nenhum candidato 4,4% dos entrevistados na
pesquisa espontânea.
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Equilíbrio
faz de Jader
um eleitor privilegiado
AUGUSTO BARATA*
Para entender o quadro
no qual se dá a corrida pela Prefeitura de Belém, e particularmente
as implicações da polarização entre a senadora
Ana Júlia Carepa (PT) e o ex-governador Almir Gabriel (PSDB), que
se equivalem até no oportunismo, é importante ter claro
o papel de eleitor privilegiado que nela cabe ao ex-governador Jader Barbalho,
hoje deputado federal e presidente regional do PMDB. Ao optar por lançar
a ex-deputada federal Elcione Barbalho, sua ex-mulher, como candidata
a vereadora, Jader sinalizou a disposição em fortalecer
a presença do PMDB na Câmara Municipal de Belém, cacifando
a legenda junto ao futuro prefeito, seja ele qual for. Ao mesmo tempo,
pavimentou o caminho para negociar o apoio do PSDB à candidatura
a prefeito de Ananindeua do deputado estadual Helder Barbalho, do qual
é pai e que desde já é apontado como seu herdeiro
político.
As mágoas represadas
por setores da tucanagem, potencializadas pela soberba de Almir Gabriel
- que atropelou até o desejo do governador Simão Jatene,
seu correligionário e sucessor -, terminaram por abortar as possibilidades
da coligação entre PSDB e PMDB, que se faria em Belém
e seria automaticamente reproduzida em Ananindeua, invertendo-se apenas
a cabeça de chapa. Diante disso, Jader optou por selar –
com a direção nacional do PT – o apoio do PMDB a Ana
Júlia no segundo turno, lançando como candidato da legenda
no primeiro turno o ex-governador Hélio Gueiros, que é também
ex-prefeito de Belém. A Gueiros presumivelmente caberá,
com sua verve e debochada ironia, tentar descontruir a boa imagem de Almir
Gabriel, catapultado para a política por Jader, exatamente aquele
que o fez prefeito biônico de Belém e senador e a quem passou
a hostilizar após migrar do PMDB para o PSDB.
Estratégia
- Como até hoje se beneficia dos dividendos eleitorais resultantes
de suas passagens pela Ação Social do governo do Estado,
nas duas vezes em que foi primeira-dama, além de atrair a simpatia
e o respeito do eleitorado pela dignidade com a qual enfrentou uma separação
traumática, é inevitável que dona Elcione Barbalho
não só se eleja, como ajude, com seus votos, a ampliar a
bancada no PMDB na Câmara Municipal de Belém. Nesse cenário,
como revelam fontes privilegiadas, Jader chegou a imaginar poder dispor
como instrumento de barganha, na disputa pela Prefeitura de Belém,
do deputado federal Wladimir Costa, um radialista pródigo em bravatas
e que devota pouco apreço à ética, mas goza de inegável
prestígio junto aos segmentos de baixa renda, e cuja visibilidade
foi ampliada pelo programa policial de forte apelo popular que mantém
na TV RBA, emissora do grupo de comunicação da família
Barbalho.
A idéia aparentemente
seria lançar Wladimir como um azarão capaz de dividir ainda
mais o eleitorado, potencializando o poder de barganha do PMDB em uma
disputa extremamente equilibrada. Ocorre que, segundo é voz corrente,
o parlamentar/radialista, com suas incontinências verbais e manifestações
de suposta independência, reforçou as desconfianças
de uma traição anunciada, que medram com vigor no rastro
da pecha de fisiologismo que se confunde com seu nome. Com isso, sepultou
suas chances de sair candidato, embora tenha chegado a ser cogitado, na
esteira de algumas especulações, como um vice ideal para
o tucano Almir Gabriel, na eventualidade de uma composição
entre PMDB e PSDB. Como a possibilidade dessa coligação
naufragou, Jader então selou com a direção nacional
do PT o apoio à candidatura petista no segundo turno, sem deixar
o PMDB abdicar da candidatura própria no primeiro turno, com um
nome historicamente identificado com a legenda.
Condicionante - A
hipótese de Wladimir como vice de Almir, se tivesse sido materializada,
certamente adicionaria à candidatura tucana um formidável
ingrediente popular, de efeito eleitoral tanto mais devastador diante
da curva ascende do parlamentar nas pesquisas e do atual equilíbrio
na correlação de forças. Mas para vingar em Belém,
esta coligação teria que fatalmente ser reproduzida em Ananindeua,
o que significaria o PSDB ser obrigado a detonar a candidatura à
reeleição do prefeito Clóvias Begot, em favor de
Helder Barbalho. E Begot, ao que se saiba, vem sendo estimulado por Almir
Gabriel e pelos tucanos fiéis a este. Considerando os laços
que hoje o mantém atado ao governo Simão Jatene, nada impede,
é verdade, que Wladimir suba no palanque de Almir, ainda que entrando
em rota de colisão com o PMDB. Mas Almir também dispõe
de uma outra alternativa para oxigenar sua candidatura com um nome de
apelo popular, que é ter como vice o ex-prefeito de Ananindeua
Manoel Pioneiro, entusiasmado devoto do populismo obreiro, na esteira
do qual fez carreira e cultivou a imagem de um administrador arrojado.
“Essa provavelmente é uma opção capaz de equilibrar
a correlação de forças a favor do doutor Almir Gabriel”,
avalia o sociólogo Américo Canto, coordenador do pesquisa.
Movido por uma empáfia
difícil de aplacar, Almir, ao que consta, não se deixou
sensibilizar pela idéia de coligar-se com Jader, mais por conta
de seu temperamento turrão que por princípios, deduz-se.
Afinal, o passado recente evidencia que a ética de Almir é
a da própria conveniência, o que o torna muito parecido,
nesse aspecto, a sua adversária petista, que historicamente sempre
satanizou Jader e o PMDB, dos quais agora terá o apoio. O resto
é retória de palanque, pois a distinguir a petista do tucano,
no momento, só mesmo o obscuro desempenho parlamentar de Ana Júlia,
cujo descaso em relação ao eleitorado paraense ganhou evidência
com o episódio do projeto do presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP), que estende os benefícios da Zona Franca a todos
os Estados da Amazônia, com exceção do Pará,
e tramitou sem merecer um único reparo dos senadores paraenses,
dentre os quais se inclui a pré-candidata do PT.
Grande eleitor –
Seja como for, o equilíbrio na correlação de forças,
na disputa pela Prefeitura de Belém, acabou por tornar Jader Barbalho
o grande eleitor, cortejado tanto por setores do PT, como por parcelas
do PSDB, a despeito do incômodo que isso possa provocar para consumo
externo em ambas as legendas, e dos ressentimentos acumulados. Mesmo sendo
destinatário da rejeição de significativa parcela
do eleitorado da capital, que associa seu nome a denúncias de enriquecimento
ilícito e estigmatiza a quem ele eventualmente possa apoiar no
rastro dessa associação, também em Belém,
a exemplo do que ocorre no interior do Estado, o ex-governador tem seu
eleitorado cativo, o que inevitavelmente fará a diferença
em uma disputa voto a voto.
Resumindo, soa inevitável
que a eleição municipal em Belém, independentemente
do seu desfecho, passe por Jader Barbalho. Nem o deputado estadual Martinho
Carmona (PDT), nem o vereador Arnaldo Jordy (PPS), parecem capazes de
reverter essa dialética da caciquia. Para o bem ou para o mal,
conforme a leitura feita, e independentemente das alternativas que possam
se contrapor ao seu nome ou ao nome que vier a apoiar, Jader evidencia
com isso continuar sendo o líder de maior expressão da política
paraense na atualidade, em torno do qual orbitam até mesmo aqueles
que a ele se opõem.
* Jornalista.
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