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ELEIÇÕES EM BELÉM

A apatia ameaça parlamentares

A menos de um ano das eleições de 2004, quando deverá ser renovada a Câmara Municipal de Belém, emerge uma notícia que está distante de ser animadora para os seus atuais vereadores. Segundo a pesquisa do Instituto Acertar sobre intenção de voto para as eleições municipais de 2004 em Belém, nada menos que 55,5% do eleitorado belenense revela uma monumental apatia em relação à atuação do Legislativo municipal e não sabe avaliar a atuação do vereadores de Belém. Essa apatia pode estar relacionada com a parca credibilidade dos políticos (Leia quadro abaixo).

A pesquisa também expõe que está longe de ser lisonjeira a imagem que o eleitorado tem da Câmara Municipal de Belém. De acordo com ela, do total de entrevistados, 9,9% avaliaram positivamente a atuação dos vereadores; 20,4% avaliaram como regular o desempenho dos vereadores; e 14,4% fizeram uma avaliação negativa.

Dos atuais vereadores, poucos são aqueles cuja atuação é memorizada de forma expressiva pelo eleitorado. Dentre as exceções figuram Paulo Queiroz (PSDB), Orlando Reis (PV), Paulo Fonteles Filho (PC do B), Arnaldo Jordy (PPS) e Mário Corrêa (PSDB).

O mapa da desinformação - A desinformação sobre a atuação dos vereadores encontra campo fértil no eleitorado feminino, no qual 58,1% desconhecem as atividades da Câmara Municipal de Belém. Em termos de faixa etária, o desconhecimento em torno das atuação dos vereadores ocorre, principalmente, no contingente de eleitores com 60 anos ou mais e na parcela do eleitorado que tem entre 16 e 24 anos. Dentre os eleitores com 60 anos ou mais, 67,3% não sabem avaliar o desempenho da Câmara Municipal de Belém, percentual que fica em 59,1% dentre aqueles que tem entre 16 e 24 anos.

Essa desinformação, pelas ilações permitidas pela pesquisa, está mais relacionada a apatia do eleitorado que ao grau de instrução do mesmo. Ela fica em 59,3% entre os que tem 1º grau; em 53,4% entre os que dispõem de 2º grau; e em 50% entre os que apresentam o 3º grau.

Essa apatia também não apresenta grandes variações quando o nível de  desinformação sobre a atuação dos vereadores é rastreado pela renda familiar. Entre os eleitores com renda familiar de até um salário mínimo, a desinformação situa-se em 62%. Fica em 53,3% entre os que têm renda familiar de mais de um até dois salários mínimos. Situa-se em 54,9% dentre aqueles cuja renda familiar oscila entre mais de dois até cinco salários mínimos. Vai a 63% na parcela cuja renda familiar é de mais de cinco até dez salários mínimos. E fica em 38,7% dentre aqueles cuja renda familiar é de mais de dez salários mínimos.

Assembléia Legislativa – A mesma apatia registra-se quando o eleitor é convidado a avaliar a atuação da Assembléia Legislativa do Pará. Exatos 52,3% dos entrevistados não souberam avaliar o desempenho dos atuais deputados estaduais. A atuação da Assembléia Legislativa foi avaliada positivamente por 15,8% dos entrevistados; como regular por 19,2% e como negativa por 12,5%.

O desconhecimento sobre a atuação dos deputados estaduais ocorre com expressiva incidência no eleitorado feminino, no qual 55,9% não souberam avaliar o desempenho dos parlamentares. Mas também se dá, de maneira significativa, entre aqueles que têm 60 anos ou mais, parcela na qual 67,3% desconhece a atuação dos deputados estaduais. E também se dá, com maior incidência, dentre aqueles que têm baixo grau de escolaridade e baixa renda familiar, atingindo, respectivamente, 56,6% e 62%.

A percepção do eleitorado sobre a atuação de alguns dos deputados estaduais é maior do que em relação a registrada entre aqueles com melhor desempenho dentre os vereadores. Seja pelas suas atuações, seja porque têm acesso privilegiado à mídia, seja ainda porque se beneficiam da notoriedade garantida por cargos que ocupam e/ou ocuparam, são citados na pesquisa como parlamentares que trabalham pelo povo os deputados estaduais Luiz Eduardo Anaice (PMDB), com 7,6%; Helder Barbalho (PMDB), com 6,9%; Martinho Carmona (PDT), com 2,2%; e Mário Couto, com 2%.

Câmara dos Deputados – Embora em números menores que aqueles registrados em relação à Câmara Municipal de Belém e Assembléia Legislativa, é expressivo o desconhecimento do eleitorado sobre a atuação da bancada do Pará na Câmara dos Deputados, em Brasília. Do total de entrevistado na pesquisa do Instituto Acertar, 47,9% não sabem avaliar o desempenho dos parlamentares paraenses; 16,1% avaliam positivamente; 26% avaliam como regular; e 10,1% avaliam negativamente.

Concentra-se no eleitorado feminino o maior índice de desconhecimento sobre a atuação dos deputados federais do Pará, atingindo 49,6% das mulheres. Em matéria de faixa etária, a desinformação é tanto maior entre os eleitores com 60 anos ou mais, atingindo 59,2%. Essa apatia é igualmente expressiva, alcançando 51,9%, entre aqueles cujo grau de instrução fica circunscrito ao 1º grau. Quando estratificada por renda familiar, o desconhecimento sobre a atuação dos parlamentares federais do Pará chega a 52,7% entre os que têm rendimentos entre mais de cinco até dez salários mínimos. O menor nível de desinformação, que é de 32,3%, se dá entre os que apresentam renda familiar superior a dez salários mínimos.

Dentre os parlamentares federais do Pará, pelo menos sete têm sua atuação reconhecida pelo eleitorado, ainda que isso possa se dar, em alguns casos, não necessariamente pelo desempenho, mas pelo acesso privilegiado à mídia. Mas, objetivamente, são citados como parlamentares que trabalham pelo povo os deputados federais Wladimir Costa (PMDB), com 23,7%; Jader Barbalho (PMDB), com 5,8%, Babá (PT), com 3,4%; Vic Pires Franco (PFL), com 3,4%; Paulo Rocha (PT), com 2,7%; Josué Beghtson (PTB), com 1,8%; e Zenaldo Coutinho (PSDB), com 1,3%.

Senado – Em relação à atuação da bancada do Pará no Senado, decresce o nível de desinformação do eleitorado, mas ainda assim ele perdura expressivo, atingindo 45% dos eleitores. Dos entrevistados, 18,1% avaliaram positivamente a atuação dos senadores do Pará, 23,5% como regular e 13,4%como negativa.

A desinformação sobre a atuação dos senadores paraenses é expressiva em todas as faixas etárias, mas atinge seu paroxismo dentre os eleitores com 60 anos ou mais, dentre os quais chega a 55,1%. Essa desinformação é tanto maior dentre os eleitores cuja escolaridade fica circunscrita ao 1º grau, atingindo 49.7%. E alcança 47,9% dos eleitores cuja renda familiar situa-se em até um salário mínimo. O menor índice de desconhecimento, mensurando por renda familiar, se dá no eleitorado cujos rendimentos são superiores a dez salários mínimos, onde a desinformação incide sobre 29%.

Em relação aos atuais senadores do Pará, Duciomar Costa (PTB) é o de maior visibilidade, sendo apontado como aquele que mais trabalha pelo povo do Pará por 23,7%. Ele é seguido pela senadora Ana Júlia Carepa (PT), reconhecida por 19,9% dos entrevistados como quem mais trabalha pelo povo do Estado. O senador Luiz Otávio Campos (PMDB) é identificado como o que mais defende o povo do Pará por 1,1%.

A pesquisa também revela a inserção do hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB) no eleitorado. Dois anos depois de renunciar ao mandato de senador, Barbalho ainda é identificado, por 2,2% do eleitorado, como o representante do Pará no Senado que mais trabalha pelo seu povo. Ele renunciou em fins de 2001 ao mandato de senador sob uma avalancha de denúncias de corrupção que antecediam sua eleição para o Senado em 1994. Na mesma ocasião, o senador Luiz Otávio Campos (PMDB), acusado de quebra de decoro parlamentar pelo desvio de US$ 13 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi absolvido da acusação de quebra de decoro sob a alegação de que o ilícito ocorrera em 1992, antes do parlamentar paraense se eleger senador.

Credibilidade em baixa

Às vésperas de um ano eleitoral, a notícia não poderia ser pior para a classe política: segundo a pesquisa do Instituto Acertar, 48,5% dos belenenses conferem baixa credibilidade aos políticos. Os políticos gozam de média credibilidade entre 49,2% dos belenenses e de alta credibilidade entre 2,2% da população. Talvez aí possa residir a explicação para a indiferença do eleitor em relação à atuação do Legislativo, que se traduziria nesse caso em desinformação.

De acordo com a pesquisa, a baixa credibilidade dos políticos é maior entre os homens, atingindo 53,1% deles, e ligeiramente inferior entre as mulheres, onde situa-se em 44,5%. Dentre os homens, a média credibilidade fica em 45% e a alta credibilidade em 1,9%. Já dentre as mulheres, a média credibilidade é de 53% e a alta credibilidade de 2,5%.

Faixa etária e instrução - Por faixa etária, os políticos gozam de baixa credibilidade entre 46,2% dos belenenses de 16 a 24 anos, dos quais 51,6% conferem média credibilidade aos políticos e 2,2% alta credibilidade. Dentre os belenenses de 25 a 34 anos, 48,3% conferem baixa credibilidade, 49,2% média credibilidade, e 2,5% alta credibilidade. No contingente de belenenses entre 35 e 44 anos, os políticos têm baixa credibilidade para 50%, média credibilidade para 49%, e alta credibilidade para 1%. Já no segmento entre 45 e 59 anos, os políticos gozam de baixa credibilidade entre 44,6%, de média credibilidade entre 53%, e de alta credibilidade entre 4,1%. Entre aqueles que têm entre 60 ou mais anos, os políticos gozam de baixa credibilidade para 57.1%, de média credibilidade para 38,8%, e de alta credibilidade para 1,9%.

Em termos de instrução, a falta de credibilidade da classe política aumenta na medida que eleva-se o nível de escolaridade. Entre os belenenses com o 1º grau (completo ou incompleto), 45% conferem baixa credibilidade, 52,4% média credibilidade, e 2,6% baixa credibilidade. Já na parcela que dispõem do 2º grau (completo ou incompleto), 48,5% conferem baixa de credibilidade aos políticos, 49,5% média credibilidade, e 2% alta credibilidade. Dentre os belenenses que têm o 3º grau (completo ou incompleto), 61,1% conferem baixa credibilidade aos políticos, 37% média credibilidade e 1,9% alta credibilidade.

Renda familiar – Entre os belenenses cuja renda familiar é de até um salários mínimo, 46,5% conferem baixa credibilidade aos políticos, 52,1% média credibilidade e 1,4% alta credibilidade. Já dentre os que têm renda familiar de mais de um até dois salários mínimos, 54% cultivam baixa credibilidade em relação aos políticos, 43,8% média credibilidade e 2,2% baixa credibilidade. Na parcela da população cuja renda familiar situa-se em mais de cinco até dez salários mínimos, 38,2% conferem baixa credibilidade, 60% média credibilidade e 1,8% alta credibilidade. Dos que apresentam uma renda familiar de mais de dez salários mínimos, 61,3% conferem baixa credibilidade aos políticos, 32,3% média credibilidade e 6,5% alta credibilidade.

 

 
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