MEIO AMBIENTE/2007 |
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O que o paraense pensa sobre questões ambientais |
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Alguns dados nos levam a concluir que estamos diante de uma população que não acredita em mudanças positivas, que já cansou do discurso e não percebe praticidade ou ações concretas por parte do Estado O Instituo Acertar realizou pesquisa para identificar o entendimento da sociedade paraense sobre temáticas que tratam de questões ambientais na Amazônia. Os dados aqui apresentados refletem somente a opinião da população; não foram entrevistadas pessoas que ocupam cargos públicos, cargos políticos e/ou de natureza semelhante, e as indagações foram baseadas em questões levantadas em matérias, reportagens e trabalhos que foram divulgados nos veículos de comunicação de massa. Este trabalho apresenta um quadro que reflete o pensamento do amazônida paraense sobre questões relacionadas à região em que ele vive. Para tanto, foram ouvidas 1.596 pessoas com 16 anos a mais, residentes no Estado do Pará, especificamente em 49 municípios distribuídos nas seis mesorregiões que compõem o Estado. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. Com amostra do tipo probabilística estratificada por idade, sexo e distrito de residência, as entrevistas foram realizadas com abordagem face a face, em domicílio, com utilização de questionário elaborado de acordo com os objetivos da pesquisa.. | |
| O QUE É MEIO AMBIENTE?
Foi solicitado aos entrevistados que conceituassem de forma espontânea o que entendem por meio ambiente. Os resultados obtidos apontaram seis definições com maior expressão. Com 22,2% das citações o meio ambiente é o espaço onde vivemos, onde habitamos; a segunda resposta está relacionada com tudo que vem da natureza correspondendo a 16,8%; a fauna e a flora/os animais e plantas/os mares e as florestas foi o terceiro conceito e correspondeu a 12,7% das citações; é a preservação da natureza aparece em quarto lugar com 4,5% das citações e 3,9% responderam que o meio ambiente é não poluir os rios/reciclar o lixo / manter os lugares limpos. Essas foram as respostas mais expressivas, entretanto, vale salientar que 13% dos entrevistados deram os mais variados conceitos, os quais pontuamos aqui como tudo que a natureza oferece, dependemos dele para sobreviver, conjunto de aspectos naturais, físicos e biológicos. Isso acontece também com o conjunto das perguntas subjetivas que foram levantadas pela pesquisa, fazendo-nos supor que a razão deste desconhecimento pode estar relacionada ao baixo índice de escolaridade da população. É na região do Marajó, com 46,4%, no Nordeste paraense, com 42,7%, e no Sudeste, com 42,4%, onde se concentram os maiores índices dos que não souberam ou não quiseram conceituar “meio ambiente”. Esses dados fortalecem a afirmação de que o baixo nível de escolaridade dificulta a compreensão da temática discutida. De acordo com censo demográfico de 2000 e do censo escolar do mesmo ano feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, o Estado do Pará têm atualmente 1.458.993 analfabetos funcionais, que são aqueles com menos de quatro anos de estudo concluído e, dessa população, 131.235 estão concentrados no arquipélago do Marajó, 440.138 residem no Nordeste paraense e 334.683 estão no Sudeste. A variável não sabe / sem resposta apresenta baixo índice na região metropolitana e especificamente em Belém. Isso demonstra que, apesar do tema Meio Ambiente fazer parte da pauta de discussões nos meios científico, acadêmico, jornalístico e até político, ainda é incipiente essa discussão na sociedade de modo geral. | |
QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS AMBIENTAIS NO PARÁ? Para os entrevistados, os cinco principais problemas ambientais do Estado do Pará estão relacionados ao desmatamento / destruição da floresta (36,8%); às queimadas (12,7%); à poluição dos rios / contaminação dos rios / manguezais (10,1%); à poluição das cidades / sujeira nas cidades / excesso de lixo nas cidades (6,7%) e à poluição do ar / muita fumaça / poluição sonora (3,1,%). Os resultados da pesquisa demonstram que os problemas citados acima são comuns à população que vive nas seis mesorregiões do Pará, entretanto, o problema do desmatamento ganhou mais ênfase junto à população do Sudoeste paraense, com 63,4% das citações, seguido do Baixo Amazonas, com 49,2%. Quais as razões do desmatamento ter mais ênfase nessas duas regiões? Vale lembrar que essas regiões apresentam sérios problemas decorrentes do desmatamento em função da retirada de madeira, principalmente clandestina e também com o plantio da soja, que avançou nos últimos anos na região do Baixo Amazonas. As queimadas foram citadas quase que de forma homogênea em todas as regiões investigadas, entretanto, vale ressaltar que no sudeste paraense, representado por 17,3% das citações, e o Baixo Amazonas, 16,9%, foram as regiões onde identificamos índices mais expressivos. Vale lembrar que essas regiões apresentam sérios problemas decorrentes das queimadas, de produção de carvão vegetal em carvoarias a céu aberto. A poluição dos rios, praias e manguezais é um problema citado principalmente pelos moradores de Belém (14,4%); da região metropolitana em geral (11,9%) e das pessoas que residem no sudeste paraense (11,7%). O problema da poluição das cidades / sujeira nas cidades / excesso de lixo ganha ênfase para aqueles que moram na região metropolitana (10,6%); no nordeste paraense (9,8%) e em Belém (9,6%). Por razões quase que óbvias, a região metropolitana destaca a questão do lixo como um sério problema ambiental, e Belém, vista isoladamente, atinge quase o mesmo percentual na indicação do problema no cotidiano da sua população. O QUE AS AUTORIDADES DEVEM FAZER PARA RESOLVER OS PROBLEMAS CITADOS PELA POPULAÇÃO? Os entrevistados teceram suas opiniões a respeito do que as autoridades devem fazer para resolver os três principais problemas citados. As respostas mais expressivas foram as seguintes: Para resolver o problema das QUEIMADAS os entrevistados aconselham as autoridades a agirem praticamente da mesma forma como devem agir com aqueles que causam o desmatamento. A fiscalização tem que ser intensificada, procurar a competência e identificar possíveis fiscais corruptos. As penalidades precisam ser mais rígidas para os crimes ambientais e deve-se conscientizar a população para que a própria possa fiscalizar. A POLUIÇÃO DAS CIDADES / LIXO / POLUIÇÃO DOS RIOS têm que ser resolvido através da reciclagem do lixo. A coleta do lixo deve ser feita de forma sistematizada e o lixo deve ser posto em locais adequados. Tem que haver incentivo para que a população comece a se conscientizar de seu papel. É fundamental trabalhar Educação Ambiental como disciplina nas escolas de ensino fundamental e médio e multar as pessoas que jogam lixo nas ruas, praças, etc. O QUE É AQUECIMENTO GLOBAL? A pesquisa procurou saber se o entrevistado já havia ouvido falar em aquecimento global. 77,9% disseram ter ouvido falar e 22,1% responderam que nunca ouviram falar sobre aquecimento global. Ou seja, de modo geral, podemos dizer que é alto o nível de informação dos paraenses sobre o termo aquecimento global, e as respostas mostram, inclusive, as causas desses fenômenos. Após conceituarmos o que vem a ser o aquecimento global, perguntou-se se o entrevistado acreditava nesse fenômeno e 79,2% dos entrevistados disseram que acreditam que realmente esteja acontecendo o aquecimento da terra; 9,1% disseram que acreditam que está acontecendo o aquecimento, mas existe certo exagero; 1,9% não acreditam que esteja acontecendo o aquecimento da terra; 0,3% deram outras respostas e 9,5% preferiram não responder ao questionamento. Como podemos observar, pelos dados apresentados, é quase unânime o reconhecimento por parte da população que o aquecimento global esteja acontecendo. Número significativo dos entrevistados, 45% disseram que o principal responsável pelo aquecimento global é a ação do homem na natureza, 16,2% culpam as indústrias, poluição química das usinas, 5,9% responderam que o principal responsável é as queimadas, o desmatamento/derrubadas da floresta foi o quarto item citado com 4,9%, em quinto lugar com 3% aparece as nações desenvolvidas, os países ricos e em sexto lugar com o índice de 2,3% foram citados o governo, as autoridades, os políticos. Dos entrevistados 4,1% citaram outras respostas e 18,7% não teceram suas opiniões. O QUE VOCÊ ACHA QUE VAI ACONTECER COM A REGIÃO AMAZÔNICA NOS PRÓXIMOS 10 ANOS? Foi solicitado que os entrevistados dessem suas opiniões sobre o que eles acham que vai acontecer com a região amazônica nos próximos 10 anos e as respostas são preocupantes, pois mostram que o paraense parece incrédulo quanto a mudanças no modelo de desenvolvimento para a região. Do conjunto de entrevistados, 29,9% responderam que se continuar como está a floresta amazônica vai acabar / deixar de existir; 22,3% disseram que vai estar totalmente degradada, destruída. Essas foram as respostas que obtiveram o maior índice de citações, porém, o quadro de respostas aponta elevado índice de negatividade ou até mesmo de descrédito que possamos fazer alguma coisa para mudar o quadro de destruição na Amazônia. Os mais céticos residem nas áreas urbanas dos municípios; são principalmente as mulheres; concentram-se entre aqueles que estudaram o segundo e terceiro graus; estão nos grupos de idade que varia de 16 a 44 anos com renda familiar de 2 a 5 SM e de 5 SM a mais. Como se pode observar, pelos dados apresentados, o sentimento do paraense quanto ao futuro da região não é dos mais animadores. E levando-se em consideração que apesar do Brasil ter sediado a ECO 92, evento que abriu espaço para a discussão das questões ligadas ao meio ambiente e aos principais problemas ambientais no país e no mundo, 15 anos se passaram e nesse espaço de tempo as estatísticas apontam crescimento significativo da derrubada da floresta, crescimento de áreas queimadas e assassinatos de trabalhadores, dentre outros. Essa é o quadro que temos, portanto, não é de se espantar com o descrédito e o fatalismo que os números revelam. Alguns dados nos levam a concluir que estamos diante de uma população que não acredita em mudanças positivas, que já cansou do discurso e não percebe praticidade, ações concretas por parte do Estado. Chegamos a essa conclusão após análise de respostas bastante pontuais por parte dos entrevistados. Quando indagados sobre o que as autoridades devem fazer para resolver os principais problemas citados, com o agrupamento das respostas dadas, verifica-se a exigência de um aparato mais consistente e eficiente na esfera dos órgãos responsáveis pela fiscalização, regulamentação e funcionamento dos setores onde potencialmente estão inseridas as questões ambientais. Aparecerem respostas como: “aumentar a fiscalização / fiscais competentes”, “penas mais rígidas para crimes ambientais / punição dos autores”, “prender madeireiras ilegais”, “intensificar ações do IBAMA / equipar o IBAMA”, “regularizar projetos de extração de madeira”, entre outras. Seja para o setor madeireiro, pesqueiro, agrário, de minérios, etc, 12% dos entrevistados apontam a necessidade de uma orientação política no trato da questão ambiental, com respostas que incluem: “Mais investimento em recursos tecnológicos”, “planejar políticas públicas e de assistência”, “acabar com a corrupção / acabar com a propina”, “dar melhores condições de trabalho para funcionários dos órgãos”, “ter vontade política”, intensificar campanhas de conscientização, entre outras. Para os entrevistados, a forma que temos para garantir o desenvolvimento regional e preservar o meio ambiente requer acelerar o trabalho de conscientização e educação para o povo. Devemos aproveitar melhor à biodiversidade da floresta, colocar a floresta a disposição para estudos onde o Brasil possa ter o controle das ações desenvolvidas na região. Investir em tecnologias que possibilitem evitar o desmatamento, mesmo daqueles que culturalmente trabalham a terra através da queima, da abertura de roças e etc. As principais dificuldades para que haja conservação do patrimônio natural e cultural da Amazônia está na falta de esclarecimento e conscientização da população e educação escolar – esta foi a resposta dada por 22,9% dos entrevistados. A falta de incentivo dos governos, de políticas públicas para região é a principal dificuldade para 18,4% dos entrevistados pela pesquisa; a falta de interesse, o descaso dos políticos regionais e do homem amazônico aparece em terceiro lugar com 15,3% das citações; em quarto lugar as principais dificuldades para a conservação do nosso patrimônio natural e cultural estão na falta de investimento em infra-estrutura, falta de condições econômicas da população aparece com 4,5% e em quito lugar 3,3% dos entrevistados disseram que o problema está relacionado a ambição, ganância dos monopólios que atuam na região.
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| Gráficos | |
| Tabela sobre o que autoridades devem fazer para resolver o problema | |
| O
INTITUTO // QUALIFICAÇÃO
// NOSSA EQUIPE // CLIENTES
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