IDADE PENAL E VIOLÊNCIA/2007 |
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Sociedade quer menores na prisão, mas não confia nas instituições |
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A partir de que idade uma pessoa pode ser incriminada como adulta? Pois esta pesquisa foi realizada pelo Instituto de Pesquisas ACERTAR para identificar as opiniões dos belenenses em relação à Emenda Constitucional que trata da redução da maioridade penal, dentre outras questões que envolvem esta temática em discussão. Vale salientar que os dados aqui apresentados refletem somente a opinião da sociedade e as indagações foram baseadas em matérias veiculadas nos meios de comunicação, principalmente de abrangência regional. Foram ouvidas 410 pessoas residentes em Belém e a margem de erro é de 5,0 pontos percentuais para mais ou para menos. Com amostra do tipo probabilística estratificada por idade, sexo e distrito de residência, as entrevistas foram realizadas em trânsito (ponto de fluxo populacional) com utilização de questionário elaborado de acordo com os objetivos da pesquisa. A pesquisa foi coordenada e analisada pelos sociólogos Américo Canto e Hilton Callado. | |
Perfil da amostra A pesquisa ouviu 410 pessoas, sendo 199 homens (48,6% ) e 211 mulheres (51,4%). Em relação ao grupo de idade: 20,4% têm entre 16 e 24 anos, os com faixa etária de 25 a 34 anos, têm índice de 30,4%, 22,4% estão em idade que varia de 35 a 44 anos, 17,4% têm 45 a 59 anos e de 60 anos a mais foi representado na amostra por 9,4% dos entrevistados. Quanto ao nível de escolaridade, 27,1% responderam que estudaram até o primeiro grau completo ou incompleto, 56,1% declararam que estudaram o segundo grau completo ou incompleto e 16,0% estudaram ou estudam o terceiro grau. A pesquisa também levantou o nível de renda familiar do conjunto dos entrevistados e, de acordo com o resultado da pesquisa, 36,6% têm rendimento familiar que varia até 2 SM, 35,6% tem rendimento que varia entre 2 a 5 SM, 16,6% entre 5 a 10 SM, 8,9% ganham mais de 10 SM e 3,3% não quiseram informar a renda familiar. A pesquisa identificou que 27,6% dos entrevistados são evangélicos, 39,5% católicos praticantes, 23,8% católicos não praticantes, 3,0% espíritas kardecistas e 6,1% não declararam a religião.
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Causas da violÊncia urbana no Brasil Foi solicitado aos entrevistados que respondessem de forma espontânea quais são as principais causas da violência urbana no Brasil. Os resultados obtidos apontam a falta de políticas de geração de emprego. Tal resposta foi citada por 36,7% dos entrevistados. A segunda causa está relacionada com a falta de investimento em educação com qualidade, correspondendo a 19,3%; a falta de orientação, a desestruturação familiar e a falta de diálogo na família são o terceiro fator apontado pelos entrevistados, correspondendo a 10,8%; a falta de investimento em segurança pública aparece em quarto lugar, com 10,2% das citações, e 6,4% responderam que a causa principal está relacionada à exclusão social. Essas foram as respostas mais expressivas, entretanto vale salientar que 16,3% dos entrevistados responderam as mais variadas causas, sendo que registrou-se o tráfico e consumo de drogas, o Código Penal é ultrapassado, a falta de interferência do poder público, a corrupção, a penalidade que é branda, a má distribuição de renda e injustiça social, não se faz valer o direito à cidadania, sistema prisional falido e corrupção em geral. É importante salientar que 80,8% das pessoas com até 34 anos de idade acreditam que a principal causa da violência está ligada à falta de política de geração de emprego e as pessoas com idade superior a 34 anos acreditam que a causa principal está relacionada ao fato da inexistência de investimentos no sistema educacional, educação com qualidade tanto para os jovens como oportunizar os professores a se prepararem melhor.
CONHECIMENTO SOBRE EMENDA CONSTITUCIONAL Emenda Constitucional Em relação ao grau de conhecimento da Emenda Constitucional que trata da redução da maioridade penal, 64,4% dos entrevistados responderam ter conhecimento, 13,8% disseram que não têm conhecimento dessa emenda e 21,5% responderam que só ouviram falar, mas não sabem bem do que se trata. Se agruparem-se aqueles que responderam não ter conhecimento com os que só ouviram falar, chega-se a exatamente 35,3% o porcentual daqueles que ainda não tiveram a oportunidade de refletir sobre a temática em discussão. Os dados da pesquisa demonstram que o desconhecimento da emenda constitucional se acentua principalmente entre as pessoas mais jovens, com baixo rendimento familiar e com nível de escolaridade que varia até o segundo grau. Após o esclarecimento sobre a emenda constitucional, foi indagado se os entrevistados eram contra ou a favor da redução da maioridade penal e 82,6% responderam que são favoráveis, 13,6% são contra, 2,8% ficaram indiferentes e 0,8% não responderam ao questionamento. Vale ressaltar que 62,1% das pessoas que declararam ter o terceiro grau de escolaridade responderam ser favoráveis à redução da maioridade penal. Estão favoráveis também 74,2% dos servidores públicos, 84,9% dos autônomos, 84,6% das donas-de-casa, 92,1% dos estudantes, 79,4% dos aposentados, 81,0% dos evangélicos e 86,5% dos católicos. Foi solicitado que esse grupo de entrevistado declarasse as principais razões para ser favorável à redução da maioridade penal e 36,8% disseram que o jovem com 16 anos já tem conhecimento das leis, portanto pode responder pelos seus atos, 23,4% acreditam que esse jovem tem consciência de seus atos, portanto poderá ser responsabilizado, 11,0% alegam que o jovem dessa idade tem direito a votar, portanto pode responder pelos seus atos, 8,7% acham que com essa medida haverá diminuição da criminalidade é uma forma de inibir as ações criminosas, para 5,4% essa medida poderá inibir o menor de reincidir no crime, 4,7% alegaram que o menor precisa ser responsabilizado por seus atos, 4,0% responderam que o jovem de 16 anos tem discernimento do que é certo e o que é errado, 3,7% disseram que o jovem sabe que a lei os protege, portanto continuam no delito. Essas foram as principais justificativas para aqueles que são favoráveis à redução da maioridade penal. Dos entrevistados que responderam ser contra a redução da maioridade penal, justificaram as respostas embasadas nos seguintes fatores: em primeiro lugar, com 16,0% das citações, alegou-se que o sistema prisional não está capacitado para receber menores, para 16,0% a idade não é o fator principal para o aumento da violência, 14,0% disseram que esse jovem é produto do sistema, não têm consciência dos seus atos, 10,0% disseram que reduzir a maioridade não vai resolver o problema da violência e 8,0% acreditam que é necessário promover políticas públicas para inserir esse jovem na sociedade. Dentre o conjunto das respostas, essas foram as mais expressivas. Diante do posicionamento dos entrevistados, o instituto perguntou se com a redução da maioridade penal para 16 anos diminuiria a criminalidade cometida por jovens e adolescentes. Diante da pergunta, 41,2% responderam que sim e 30,9% disseram que não iria diminuir a criminalidade, 26,2% avaliaram que haveria redução parcial e 1,7% não se pronunciaram quanto ao questionamento. Para o sociólogo Américo Canto, esse dado indica que apesar de parcela significativa da sociedade belenense estar favorável à redução da maioridade penal, esta mesma parcela não está convencida de que seja a solução para o problema da criminalidade juvenil, o que sugere que a temática deve ser mais discutida na sociedade paraense, nos meios de comunicação, e, dessa forma, não se tomar atitude imediatista diante de uma questão polêmica. Em relação a esse questionamento, 17,1% dos entrevistados se posicionaram contra e 76,8% foram favoráveis, 3,0% demonstraram-se indiferentes e 3,0% não quiseram opinar sobre o assunto. Para aqueles que se posicionaram contra, os principais argumentos estão relacionados ao fato de as instituições não reintegrarem os jovens à sociedade - saem piores, as instituições são escolas da criminalidade, o tempo de permanência na instituição não resolve o problema da violência, não existem projetos de reintegração de inclusão social nas instituições, as instituições não estão preparadas para receber esses jovens. Aqueles que são favoráveis argumentaram que quanto maior o tempo de permanência em instituições melhor o trabalho de reintegração, essa é uma forma de penalizá-los pelos seus atos, o tempo atual é muito pouco para que haja reintegração, essa medida terá sucesso se o tempo da permanência na instituição possibilitar o desenvolvimento de atividades profissionais, treinamentos e cursos, além do acompanhamento familiar. Quando indagamos se o aumento da pena para menores de 18 anos diminuiria a criminalidade cometida por jovens e adolescentes, 42,8% responderam que sim, 32,0% responderam que não e 22,4% disseram que diminuiria parcialmente. Dos entrevistados, 2,8% não responderam ao questionamento. Como pode ser observado pelos dados da pesquisa, há dúvidas na sociedade sobre qual proposta é mais viável para a temática em debate, o que remete a uma reflexão da questão, que apesar de a sociedade encontrar-se sobressaltada diante dos constantes crimes cometidos por esses jovens e adolescentes, faz-se necessário buscar a razão e refletir sobre as principais causas dos graves problemas sociais que envolvem esses jovens e adolescentes. Em relação ao grau de conhecimento da proposta que duplica a pena para maiores que utilizam menores para o crime, somente 48,9% dos entrevistados responderam ter conhecimento, 30,9% disseram que não têm conhecimento, 18,2% só ouviram falar e 1,9% não respondeu a pergunta. Apesar de parcela significativa da sociedade, 30,9%, não ter conhecimento de tal proposta, é praticamente unânime entre os entrevistados: 92,3% o desejo de que seja duplicada a pena para maiores que utilizam menores em atividades criminais. Dos entrevistados, 5,0% são contra e 2,8% foram indiferentes ao questionamento. Quando questionados se o sistema prisional brasileiro reintegra o infrator na sociedade, 14,4% responderam que sim e 82,3% disseram que não. A mesma pergunta foi feita em relação às instituições que abrigam menores infratores. Dos entrevistados, 16,6% acreditam que sim e 79,6% responderam que não. Dos entrevistados, 3,9% não quiseram dar opinião. Os dados nos remetem a refletir sobre um paradoxo. Se por um lado a maioria da sociedade é favorável à diminuição da maioridade penal ou se é favorável que seja aumentado o tempo de permanência nas instituições, esta mesma sociedade não acredita que o sistema prisional brasileiro, ou as instituições, sejam capazes de reintegrar o delinqüente a sociedade. É uma situação que realmente requer coragem por parte das autoridades de não esconder o problema atrás de medidas paliativas e sim procurar alternativas para solucionar o problema. Foi perguntado aos entrevistados se eles sofreram algum tipo de violência nos últimos doze meses: 30,1% disseram que sim e 69,9% responderam que não. São os joven, tanto homens como mulheres, os que mais têm sofrido algum tipo de violência. Esses jovens estão distribuídos em todas as camadas sociais. É importante salientar que do conjunto de pessoas que declararam ter sofrido algum tipo de violência, somente 54,1% procuraram alguma delegacia para fazer boletim de ocorrência e 45,9% responderam que não foram à delegacia.
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