| O Instituto Acertar aferiu o que acham os belenenses sobre a divisão do Estado. No que se refere à divisão do Estado para a criação dos Estados do Carajás e Tapajós, 76,3% dos Belenenses são contra. Já 9,9% são favoráveis ao desmembramento. Os que não sabem ou que estão em dúvida somam 13,8%.
Entre os entrevistados que se acham bem informados sobre a discussão da divisão do Estado, 84,4% são contra, entre os que dizem estar mais ou menos informados essa taxa é de 80,9%, e entre os que se dizem desinformados, de 65,6%; ainda nesse grupo, 26,6% não sabem ou estão em dúvida sobre a divisão.
Segmentos sociodemográficos que mais estão em dúvida sobre a divisão do Estado:
- Mulheres (17,1%);
- Grupo de idade de 45 a 59 anos (16,2%);
- Pessoas sem instrução (25,0%);
- Entre a situação profissional tem-se: Os autônomos (17,7%) e as donas de casa (16,3%);
- Rendimento mensal familiar de até 1 SM (18,6%);
- Desinformados sobre o assunto (26,6%).
Considerando os dados da pesquisa, hoje teríamos em Belém cerca de 757.000 eleitores contrários à divisão do Estado.

PRESENÇA DOS ELEITORES NO PLESBICITO
Foram levantadas também informações a respeito da presença dos eleitores no plebiscito que irá decidir sobre o desmembramento do Estado do Pará. De acordo com o levantamento 65,9% dos eleitores de Belém afirmaram que certamente iriam comparecer para votar, 17,6% estariam em dúvida sobre o comparecimento nas urnas se o plebiscito fosse realizado hoje. Já 16,5% estão convictos que não iriam comparecer para votar.
As características dos eleitores que estão desestimulados para comparecer para votar no plebiscito destacam-se entre o grupo de idade de 60 anos ou mais (22,1%), com o 2º grau (18,4%), entre os autônomos (20,7%), desempregados (19,1%), aposentados (22,4%), entre as famílias cuja renda não supera 1 SM (19,8%), entre as pessoas que estão desinformadas sobre a divisão (18,8%) e entre os que são contra a divisão do Estado (17,5%).
OBJETIVO DA PESQUISA
Esta pesquisa teve como objetivo central investigar a opinião da população de Belém sobre o desmembramento do Estado do Pará criando duas novas Unidades da Federação, os Estados do Carajás e Tapajós, além de medir o grau de informação dos entrevistados sobre o assunto.
Esta pesquisa teve início antes da divulgação do calendário eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que definiu as regras para a realização do plebiscito, entre elas, que a partir do dia 13 de setembro de 2011, as pesquisa de opinião pública relativas ao plebiscito deverão ser registradas no TRE-PA.
A pesquisa foi coordenada pelo sociólogo Américo Canto e pelo estatístico Silvanildo Baia. É obrigatória a citação da fonte “ACERTAR Pesquisas" na utilização, divulgação e publicação totais ou parciais dos dados da pesquisa.
METODOLOGIA E DADOS TÉCNICOS
O período de campo da pesquisa se estendeu entre os dias 29 de junho a 03 de julho de 2011. A pesquisa foi feita de acordo com a técnica de survey de opinião, que consiste na aplicação de questionários estruturados e padronizados a uma amostra representativa da população investigada. O universo foi composto por pessoas com idade igual ou superior a 16 anos, que moram e votam no município de Belém.
Foi adotada uma amostra estratificada por cotas, com a aplicação de 636 questionários, para obter representatividade para o total do município. As cotas foram definidas por sexo, grupo de idade e com alocação proporcional à população dos oito distrito administrativo, sendo calculadas proporcionalmente a cada estrato de acordo com os dados do IBGE (Censo 2010) e TSE (Estatísticas do Eleitorado maio/2011).
A margem de erro para os resultados gerais da pesquisa é de 4% para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
As entrevistas foram realizadas de forma pessoal em domicílio, feitas por entrevistadores treinados pela Acertar. Para o controle de qualidade, foi realizada a filtragem e consistência em todos os questionários após a realização das entrevistas e checagem de aproximadamente 20% dos questionários.
PERFIL DOS ENTREVISTADOS
A proporção das variáveis sexo, grupo de idade e distrito de residência refletem cotas determinadas a partir dos parâmetros populacionais. Assim, as mulheres compõem 53,5% da amostra e os homens 46,5%; entre 16 e 24 anos estão 18,0% dos entrevistados, 25,9% têm entre 25 e 34 anos, 20,3% estão na faixa entre 35 e 44, 22,3% têm entre 45 e 59 anos e 13,5% 60 anos ou mais.
A pesquisa abrangeu 40 bairros da capital. De acordo com os dados do Censo 2010, realizado pelo IBGE, Guamá é o distrito que agrupa os bairros com o maior peso, totalizando 24,5% da amostra. A seguir vêm Bengui (20,8%), Sacramenta (17,0%), Icoaraci (11,3%), os bairros centrais de Belém e Bengui (9,4% cada). Por fim, Mosqueiro (3,8%) e Outeiro (3,8%).
Pela pesquisa, os belenenses que não tiveram acesso à educação formal (3,8%) ou que tendo freqüentado a escola não foram além do 1o grau completo (32,5%) somam 36,3% do universo pesquisado (até 8a série); os que começaram ou no máximo acabaram o 2o grau totalizam 49,5%, e os que chegaram ao 3o grau, completo ou incompleto, correspondem a 14,2% da população investigada.
Em termos de renda familiar, recebem até 1 salário mínimo por mês 26,3% das famílias de Belém; 50,0% ganham mais 1 e 3 salários, 10,8% mais de 3 a 5 e somente 11,8% ultrapassam 5 salários mínimos mensais.
Em relação à religião dos entrevistados, a grande maioria (63,6%) da população de Belém pertence à religião católica e 29,7% pertence à evangélica.
DADOS DO ELEITORADO PARA O PLEBISCITO
Hoje, o eleitorado do Estado do Pará é composto por 4.762.839 eleitores, desse total na capital Belém estão 991.995, o que representa em termos percentuais, 20,8%.
De acordo com as leis que definem a possível divisão do Estado do Pará, o Estado do Carajás terá 39 municípios e 940.341 eleitores, sendo que sua maior cidade será Marabá com 132.752 eleitores. Já Tapajós terá 27 municípios e 721.562 eleitores, sendo que sua maior cidade será Santarém com 185.315 eleitores. O novo Estado do Pará ficaria com 78 municípios e 3.100.936 eleitores, o que representa em termos percentuais 65,1% do total de eleitores.

GRAU DE INFORMAÇÃO SOBRE A DIVISÃO DO ESTADO
Os entrevistados foram questionados sobre o quanto estão informados em relação à discussão que envolve a possibilidade de divisão do Estado do Pará, que será definida através de um plebiscito que será realizado no dia 11 de dezembro, 48,6% dos entrevistados se dizem mais ou menos informados sobre o debate que está ocorrendo, enquanto 17,1% se consideram muito informados e 34,3% que não estão informados.
A análise do perfil sócio-econômico do desconhecimento sobre a divisão do Estado mostra diferenças significativas entre os grupos sociais indicando, por assim dizer, os segmentos investigados que tiveram menos contato com o assunto.
Os homens apresentam uma taxa total de conhecimento de 22,0% contra apenas 12,9% das mulheres. 49,7% dos homens declaram estar mais ou menos informados, contra 47,6% entre as mulheres. Mais do que isso, as taxas entre os homens de desinformado chega a 28,4% e entre as mulheres passa para 39,4%.
Os que possuem idade superior a 60 anos são os que apresentam a maior taxa de falta de informação (38,4%). Entre os jovens (16 a 24 anos) está taxa cai para 28,9%.
Quanto maior a escolaridade, menor a taxa de desinformação a respeito da divisão do Estado. Por volta de 03 em cada 10 que possuem nível superior afirmam está bem informado/a.
Verifica-se que quanto menor a renda, menor a noção sobre a divisão do Estado. 49,7% dos que têm renda familiar até 01 SM estão desinformados sobre o assunto, contra 35,5% que declaram renda entre 1 e 3 SM.

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